Prefácio

Este Blog destina-se a falar de veleiros, navegadores, e também contar as aventuras do nosso veleiro Bella Mar. O Bella Mar é um veleiro MB 45´construído em Porto Alegre pelo sr. José Carlos Cristini, de quem eu adquiri o barco em outubro de 2010. A construção do Bella Mar, que chamava-se Paradoxo, teve início em 1998 e terminou em 2003. Na sua construção foram usados reforços extras além de placas de Divinicell no convéz e costado. A carpintaria foi feita pela Barcosul. A quilha, agora de chumbo, e o leme foram re-projetados pelo Carabelli, e o seu novo calado é de 1,65m. a mastreação, fabricada pela Farol Náutica, também teve a sua altura reduzida em 2 m, e tem armação em Cutter com cruzetas anguladas. ________________________________________________________________________ Bons Ventos a Todos, ______________________ Munir Ricardo Alle

11/04/2012

Volta do Uruguai para o Brasil

No dia 3 de março de 2012 eu, Nilson, André Serpa e o Luis Marasca viajamos para Piriápolis para buscar o Bella Mar. A intenção era pegar uma frente que passaria de forma rápida pela costa sul.
Fomos surpreendidos  pela burocracia e tramites legal. Acabamos por sair tarde e perdemos um tempo precioso. 
Na saída de Piriápolis pegamos um vento contra e tivemos que velejar 2 horas para Leste para ganhar altura e podermos passar por fora da Isla Gorriti. Isto aconteceu porque saímos atrasados e o vento que pretendíamos pegar, mais forte que viria do quadrante sul, já havia passado.
Não demorou muito a anoitecer. Por volta das 0200hs passávamos por La Paloma. O vento diminuiu durante a noite e o mar desencontrado com ondas de sul levantadas pela frente fria, e de Leste com formação oceânica, deixavam a navegada bem desconfortável. A esta altura o Marasca e o Nilson já estavam "alimentando os peixes". Ainda assim seguíamos com boa velocidade 7,5 a 8 nós co vento de popa.
Por volta das 0700hs o barco fez um giro de 360 graus. Vi que o Nilson estava no timão e perguntei o que ele estava fazendo. Respondeu me que o Piloto não estava respondendo e que a roda de leme também não respondia.
Subi rapidamente ao convés e me dei conta que era verdade. Senti um frio no estomago e passou pela minha mente um dos meus maiores pesadelos: Perda de leme!
Abri o paiol de popa e pulei pra dentro para averiguar a situação. Logo constatei que não era a perda do leme (graças a Deus).
Não era nada que nos colocasse em risco, mas era um pouco complicado. O parafuso que segurava o braço hidráulico do Piloto Automático quebrara, e quando o leme girou com toda a força e bateu no final do curso arrebentou o cabo de aço que vai da roda de leme ao quadrante do leme. Descobri então que o parafuso era de latão, um material muito fraco para a força que aquela peça exerce. 
Enquanto o André abaixava as velas o Nilson e o André me ajudavam com ferramentas e parafusos. Logo conseguimos colocar um outro parafuso, mais fino, em outro furo no quadrante. Não era o Ideal devido a diferença de torque, mas nos levaria lentamente a nosso destino. Decidi não mexer nos cabos da roda de leme, pois o barco mexia muito com as ondas.
Precisamos tomar uma decisão. Estávamos a 30 MN da divisa do Chuí e umas 20 MN longe da costa.
Faltavam 180 MN para Rio Grande e 50 MN para La Paloma. O Porto Mais próximo. Havia uma tendência do vento virar para Leste e Nordeste. Assim resolvemos que a decisão mais correta seria de voltarmos para La Paloma.
Saída do Porto de La Paloma
Foram 10 hs de navegada no sentido oposto ao nosso destino inicial, o que nos dava uma sensação de frustração. Mas quem vai ao mar está sujeito a estas coisas. As dez horas passaram rápido e as 1700 hs entravamos no Porto de La Paloma. Muito bonito e organizado. Aliás La Paloma é uma cidadezinha muito pitoresca. Recomendo a visita!
Depois de atracarmos o barco, desmontarmos o cabo da Roda de leme e fazermos todos os tramites burocráticos, fechamos o barco e pegamos um taxi para a rodoviária, pois não haveria possibilidades de continuarmos a viagem. O vento mudaria para NE, além do mais eu tinha compromissos em Porto Alegre.
Na Rodoviária, só teria onibus para o Chuí na manhã seguinte, então pegamos o mesmo taxi e pedimos que nos levasse ao Chuí. 150 km. Lá jantamos, e pegamos um outro onibus para Porto Alegre. Uma viagem terrível.
 
Passaram-se 25 dias muito rapidamente, Só aí então no dia 27 de março é que foi possivel buscar o Bella Mar que ficou quietinho no Porto de La Paloma. Com uma tripulação diferente, eu o Silvio Teles e o Alfredo Pinto pegamos um onibus com destino a Punta del Este e decemos em Rocha, onde o mesmo taxi que nos levou para o Chuí, nos esperava. Foi uma noite sem dormir para mim, pois estava preocupado em decer na imigração Uruguaia e fazer a entrada e a saída, já que em La Paloma não há posto de imigração. Foi difícil fazer a oficial Uruguaia entender o o que nós íamos fazer, e depois foi difícil ela descobrir como faria o processo. Tudo isso as 4 hs da manhã. 
Fazendo os reparos



Munir e Silvio
Logo as 0630 hs decemos em Rocha onde fazia 6 graus e chovia um pouco. O taxi nos levou ao Porto e começamos a fazer os reparos no barco, enquanto o Silvio foi comprar óleo Diesel para abastecermos o barco para a viagem. Assim que arrumamos os cabos do leme, fui pagar o porto e pegar permissão da Prefeitura Naval para sair. Foi um pouco difícil, pois não queriam nos autorizar a sair devido do vento Pampero de força 8 e a ressaca no mar. Após longa conversa onde avaliaram o barco e a tripulação decidiram nos autorizar.
Depois de tudo arrumado, conseguimos sair do porto as 1040 hs. O mar estava grosso e o vento forte de SW. A pricipio o vento não era o problema, e sim as ondas de Sul que deixavam o mar parecendo uma máquina de lavar roupa. As ondas de Sul de 3,5 m a 4,5 m não permitiam que navegássemos próximo a praia, que era a nossa intenção inicial, ja que o vento era levemente terral. Mesmo assim nos mantivemos relativamente perto da costa para evitar o mar cruzado.
Alfredo.........
Logo que passamos a divisa do Chuí, conversamos com dois barcos de pesca pelo rádio e eles disseram que só eles estavam fora, e nos sugeriram que nos afastássemos pelo menos 25 milhas da costa, pois as ondas estavam quebrando muito fortemente no Banco do Albardão e nos outros bancos que o seguem. Assim abrimos quase 30 milhas da costa e encaramos um mar cruzado co ondas de 4,5 m de sul e ondas de 3m de SW. Foi uma noite muito cansativa! Algumas ondas quebravam no costado, outras quebravam pela popa por cima de nós. Algumas planadas faziam o barco  passar de 15 nós, e numa em especial o barco atingiu 19,6 nós. O Bella Mar se comportou muito melhor do que nós. O Alfredo começou a passar muito mal apenas 1/2 hora depois que saímos e seguiu assim até a barra de Rio Grande. E eu e o Silvio chegamos muito cansados.

Durante a noite me preocupei com a navegação pois temia que passássemos de Rio Grande enquanto estávamos a 30 MN da terra, Isto nos forçaria a fazer um contravento em direção a barra. Procurei diminuir a velocidade do barco o maximo que eu pude, e assim que começou a clarear e podíamos ver as ondas iniciamos um través orçado para Rio Grande. Foram 5 hs levando o barco na mão igual a um monotipo negociando cada onda, mas foi divertido e bem melhor doque navegar no escuro com ondas vindo de todos os lados.
Fizemos 224 MN em 24 hs. Pois de barra a barra, foram exatamente 24 hs. Entramos na barra de Rio Grande as 1040hs. Durante a viagem as ondas e os ventos levaram a capa do bote e a capa da churrasqueira. Deixamos o barco no Hospitaleiro Rio Grande Yacht Club.



20/03/2012

Vídeo Rolex Clássic 2012

Acabei de receber a versão editada do vídeo da última regata Rolex Clássic em Punta del Este (jan 2012).

Resolvi publica-lo pois está muito bom e representa bem a regata.

Espero que vocês gostem também.

Acesse o link para ver com tela cheia : Video da Regata Rolex Clássic 2012 


ou assista aqui: 

05/03/2012

Piriápolis

No dia 22 de fevereiro, uma quarta feira, eu e a minha esposa decidimos levar o Bella Mar para Piriápolis, porto muito conhecido a oeste de Punta del Este em direção a Montevideo. A cidade é muito bonita e organizada. Ela é menos sofisticada do que Punta Del Este, o que a torna mais barata também.

A viagem começou as 1000hs com céu claro e algumas nuvens. No dia anterior soprara um forte vento sul, e as ondulações eram bem grandes, contudo naquela quarta feira o vento estava calmo até de mais para o meu gosto. Fizemos toda a burocracia junto a Hidrografia e Prefectura Naval, e depois de todos os carimbos, e pagamentos soltamos as amarras.

Logo que saímos subi a vela grande, ou melhor, tentei subir a vela grande, mas não conseguia fazer o top passar da 2ª cruzeta. Depois de algumas tentativas frustradas consegui ver que um dos parafusos que fixam o trilho da vela grande ao mastro havia saído um pouco e impedia o carrinho da vela de passar daquele ponto. Como o vento estava fraco mesmo, decidi baixar a vela e motorar até Piriápolis.

Foi um trecho muito chato, as ondas remanescentes do dia anterior eram picadas e muito desencontradas, pois batiam contra a costa e voltavam, fazendo a viagem bastante desconfortável mesmo para um barco pesado como nosso. Logo aconteceu o que eu temia, minha esposa começou a ficar um pouco mareada e então se deitou no convés. Com os olhos fechados. Ofereci um Dramim, mas ela disse que não precisava e que ficaria bem.

Passado mais um tempo ela disse que um Dramim não seria má ideia. Fui procurar o remédio e não encontrava. Sabia que tinha trazido na viagem. Fiz a maior bagunça no barco, tirei tudo do lugar e não achei o raio do remédio, quando então me lembrei de que foi uma das ultimas coisas que trousse para o barco e estava na minha mochila, que tinha ficado no apartamento.

Resolvi apelar então e dei a ela um Plasil. Este é um remédio antivômito, caso ela tivesse vontade de vomitar, e também estava apostando no efeito placebo, caso fosse algo de natureza psicológica. Bem, funcionou. Ela não vomitou e foi sentindo-se melhor na medida em que nos aproximávamos de Piriápolis e as ondas diminuíram um pouco. Logo ela me perguntou: “que remédio você me deu? Não era Dramim, pois não me senti da mesma forma que eu me sinto quando tomo Dramim.” Fui obrigado a confessar o meu esquema...

O bom é que ela aguentou muito bem e até gostou da experiência. Fiquei muito orgulhoso da minha Almirante. Preciso salientar que eu sou o Capitão da nau. Tomo todas as decisões a bordo e estou sempre certo. Minha esposa é a Almirante, pois ela é quem diz se posso ir a bordo ou não....

A viagem demorou duas hora e meia e chegando a Piriápolis atracamos ao Lado do Paratii que está já no fim de sua Temporada naquele porto. Depois de toda a burocracia novamente, Também encontramos velhos amigos, como o Alejandro da SAMS, o pessoal do Cocolo, o Gaucho, a Elisa e fizemos amizade com o Igor, nosso vizinho que é o atual capitão do famoso Paratii do Amir Klink.

Piriápolis é uma cidade de veraneio bastente bucólica. Muito diferente de Punta del Este e menos badalada. Contudo tem um porto bem mais voltado para veleiros doque para "ver e ser visto". Lá encontra-se veleiros do mundo todo. Normalmente estão a caminho da Pataônia e cabo Horn, ou voltadno de lá. Também é um bom porto de partida para Africa do Sul.







Há restaurantes muito bons a preços razoáveis. Nada no Uruguai está muito barato hoje em dia. Aproveitamos para comer no Don Quijote um restaurante muito bom que só abre de novembro até o feriado da Pascoa. A brotola é muito boa mas eu recomendo a paella, que é a melhor que eu já comi. Só é servida de 5a a domingo, e é bom chegar ao meio dia, pois se demorar muito já não vai ter mais.

O barco ficará em Piriápolis até que voltemos.




A cima: Paella;
A esquerda: Brotola Grelhada.

28/02/2012

Rio Grande Punta del Este

Seguindo de Rio Grande Punta del Este

Finalmente as condições ficariam favoráveis na madrugada de domingo para segunda feira dia 13 de fevereiro de 2012. Assim pegamos um ônibus de volta para Rio Grande e as 1700hs estávamos no RGYC preparando o Bella Mar para a próxima perna.
O dia estava quente e ensolarado, então logo começamos a arrumação de tudo a bordo. Aproveitamos para trocar a adriça do Balão, pois esperávamos usá-lo. Também coloquei a ancora CQR que comprara assim que chegamos em Rio grande, para substituir a que foi perdida no temporal na perna anterior. No final do dia a tripulação nadou um pouco na piscina do clube e fomos nos recolher cedo. Obs. Eu não nadei porque ainda tinha o meu dedo do pé imobilizado, pois havia quebrado-o na perna anterior.
Quando nos preparávamos para fechar o barco, ouvimos um ruído de um barco se aproximando. Estava chegando um barco Frances de aço de uns 52 pés. O barco parecia uma aparição fantasmagórica. Eu não me atreveria a entrar nele sem antes verificar a validade da minha vacina anti-tetânica. Ajudamos o Frances e o Uruguaio que estavam a bordo a atracar. Daí eles nos perguntaram onde estavam, pois eles queriam ir para o trapiche do Museu que fica ao lado do clube. Depois de ajudarmos os recém chegados voltamos para dormir.
2ª feira as 0615hs soltamos as amarras e nos deslocamos lentamente passando pelo porto antigo em direção ao Oceano Atlântico, enquanto tomávamos o café da manhã. O dia amanheceu sem nem uma nuvem no céu e havia uma leve névoa matinal. Já passando pelo TECON encontramos alguns golfinhos que sempre são bem vindos. Avançávamos a 7,5 nós a maré estava neutra, não havendo corrente. Durante este trajeto o Silvio e o Alexandre foram tirando fotografias e as 0743hs entramos oficialmente no mar.
Seguimos motorando e com a vela grande içada, pois o vento estava muito fraco ainda. As 1100hs abrimos a trinqueta e subimos o Gennaker. Assim que o abrimos notamos um pequeno rasgo bem no topo central da vela. Tornamos a baixá-lo para consertar.
Refeita toda a operação voltamos a velejar sem aquele ruído do motor. O barco fazia 6 nós e sabíamos que estava muito bom, o vento ainda era fraco, mas tudo dizia que iria aumentar, pois assim é o nosso Nordestão.
Estávamos velejando em 20 mts de água, nada de azul profundo, ainda um mar verdinho. Mesmo assim decidimos Largar uma linha de pesca na água e o Alexandre foi preparar o almoço. Churrasco! Não podia ser melhor... Nem havíamos terminado de comer e o vento já havia aumentado um pouco e navegávamos a 7,5 nós.
Passamos por três barcos pesqueiros e alguns navios sem stress durante o dia, pois a visibilidade era excelente e de noite o AIS e o Radar nos mantinham bem informados.
A velejada seguia muito bem. O Alexandre dormindo sempre que podia, o que nos deu muito motivo para pegar no pé dele dar muitas risadas. O Silvio Tirando sarro da nossa pobre isca artificial, pois não pegávamos nada... Quando começou a anoitecer o Alexandre, já desiludido disse que ia tirar a linha da água. Então eu, mais otimista, disse: Não... agora é a hora dos predadores noturnos! Deixa a linha n’água. Por pura sorte, algumas horas mais tarde, pegamos um peixe Espada. Foi a atração principal da noite. Como se limpa um peixe Espada? Depois de muitas tentativas o Alexandre chegou a um resultado satisfatório, e embalou o peixe e colocou-o na geladeira. No dia seguinte comeríamos o pescado no almoço.
Por volta das 0230hs cruzamos a linha da fronteira entre o Uruguai e o Brasil. Aproveitamos a oportunidade para tomarmos um champagne. Apartir deste momento deve-se comunicar com o controle marítimo do Chuí (Chuí control). Eles pedem todas as informações sobre o barco (é bom ter o registro a mão), além de numero de tripulantes, posição, proa e velocidade. Manteríamos contato por radio, respectivamente com La Paloma Control e Punta Control na Altura de José Ignácio, até a nossa chegada ao Porto de Punta Del Este. A cada contato deveríamos atualizar o nosso ETA.
A noite passou rápido e o dia amanheceu com um vento um pouco mais forte e já fazíamos 8 nós pela manhã. Logo era hora do almoço novamente e o Alexandre voltou a fazer churrasco. Só que dessa vez também tinha peixe na brasa e mais champagne (isto da uma idéia de quão tranqüila era a nossa navegada). Novamente o vento aumentou por volta do meio dia e terminamos o churrasco velejando a mais de 11 nós. Por volta das 1400hs demos um Jaibe e apontamos a proa direto para Punta Del Este.  Logo foram passando os cenários conhecidos, Avistávamos a de longe la Isla de los Lobos, el Faro de José Ignácio, La Barra e por fim Punta Del Este.
As 1745hs do dia 14/02/2012 estávamos amarrando o Bella Mar no porto de Punta Del Este. Todos muito contentes e com vontade de velejar mais.
 
 A viagem foi perfeita. céu de Brigadeiro, mar de Almirante e ventos favoráveis. A tripulação foi divertida e competente. Os problemas mais graves, se é que pode-se dizer assim, foram a perda da âncora, e uma mangueira usada para verificar o nível nos tanques de água que fora mau posicionada e acabava funcionando como um sifão, drenando água do tanque para a santina. Problema este resolvido com um alicate de pressão que interrompeu o fluxo de água na mangueira.
Deixo aqui o meu agradecimento ao Silvio e o Alexandre que são tripulantes que serão sempre bem vindos a bordo!
Em outro momento escreverei sobre a parte burocrática de se chegar e sair do Uruguai.

26/02/2012

Velejando de Porto Alegre a Rio Grande – Destino Punta Del Este

08/02/2012 - Veleiro Bella Mar -
Tripulantes: Munir Ricardo Alle, Silvio Telles e Alexandre Gadret.
Destino - Rio Grande 

 
Saindo Do CDJ - Porto Alegre

Depois de esperar pela janela de tempo certa desde o final de semana, saímos de Porto Alegre quarta feira dia 8 de fevereiro as 1315hs com destino a Rio Grande.

Esperávamos um velejo tranqüilo com ventos fracos de NE e possivelmente um temporal próximo a entrada do canal da Feitoria.

Na verdade saímos sem vento e motoramos até Itapuã, onde já começava a soprar um vento de NE. Entrando na Lagoa dos Patos, colocamos os panos pra cima, abrimos a trinqueta e a genoa, com um ponto bem aberto. O barco logo estava fazendo 7,5 nós. O calor estava insuportável, então aproveitamos para tomar um banho de lagoa sendo arrastados na popa do barco. Claro que para isto tivemos que soltar bem as velas para que a velocidade diminuísse par uns 5 nós. Logo após o banho, consegui chutar uma antepara dento do barco e quebrei o dedinho do meu pé direito. Doeu muito e me lembrou de NUNCA andar descalço no barco.

Alexandre - Excelente no covéz e na cozinha
O Alexandre mostrou uma de suas qualidades e assumiu a cozinha, preparando um jantar, massa a bolonhesa (um pouco exagerado na quantidade, mas muito bem feita). Daí para frente ele cozinhou todas as refeições.

Velejávamos bem e por volta das 2200hs eu fui deitar, porém o calor era de mais para conseguir dormir confortavelmente. A 0000hs notei uma movimentação da tripulação e ouvi ligarem o motor. Logo me dei conta de que as luzes que via não era a lanterna iluminando as velas. Assim me levantei para deparar-me com o início do temporal. Muitos raios, chuva forte e um vento de uns 50 a 60 nós a uns 15° na nossa proa. Estávamos bem entre o banco da Dona Maria e o Bojuru. A velocidade do barco caiu para 1,8 nós e a nossa proa ia direto para o Bojuru (terra).- A tripulação mostrou-se preparada, e assim que o vento diminuiu, ligaram o motor e tiraram todas as velas.- Eu e o Alexandre estávamos protegidos sob o Dog House enquanto o Silvio seguia açoitado pela chuva no  timão. Aos poucos fomos corrigindo a rota e conseguimos acertar o rumo e também melhora a velocidade elevando-a a 2,5 nós. O temporal durou apenas uns 45 min, e logo depois a lua cheia voltou a brilhar.

Pescadores de Camarão
As 0645hs passávamos pela primeira bóia do canal da feitoria onde navegamos sem nenhum problema. Encontramos muitos pescadores de camarão estavam fazendo a festa com a maior safra deste crustáceo nos últimos anos.

Bem próximo a Rio Grande quando fomos preparar os cabos para as amarras notei algo muito estranho. A luz de navegação estava pendurada pelos fios e a âncora Bruce de 20 kg não estava mais na proa do barco. Apenas se via a corrente e o distorcedor. A âncora se foi com as ondas no temporal. O parafuso do distorcedor caiu e âncora foi atrás. Desta situação surgiram várias piadas, do tipo – quem vendeu a âncora para os pescadores no meio da lagoa, um tripulante com a bagagem muito pesada ao desembarcar... etc.

1215hs chegamos ao RYC. Amarramos o barco no Trapiche externo, pois não sabia que os trapiches internos haviam sido dragados e agora calam 3 m. Pude comprar uma ancora CQR usada na loja ao lado do RYC.

Checamos a previsão de ventos e vimos que os ventos do quadrante Sul permaneceriam até o domingo dia 12, quando começariam a mudar novamente, soprando então de NE novamente. Decidimos voltar para Porto Alegre e retomar a viagem no dia 12, domingo.


A esquerda - Silvio sempre mantendo o barco organizado.

06/02/2012

Rolex Clássic 2012

Este ano a Rolex Classic estava melhor do que nunca. Mais de 30 barcos antigos reunidos para as regatas e também, é claro, exibir suas belas linhas num verdadeiro desfile de beleza.

Estive mais uma vez a bordo da Atrevida que, como de costume, fez muito bonito em Punta del Este.

Na primeira regata (Praia Mansa) largamos de forma bem competitiva. O vento era quase de través na largada e foi muito complicado com toda o flotilha, barcos de todos os lados. Um chegou a pedir água. Nós respondemos que não poderíamos alterar o nosso rumo por causa de outros barcos a barlavento de nós e também pela própria dificuldade de se alterar o rumo de um barco de 106 pés construído em 1923 e que pesa 90 Toneladas. Se ele quisesse pedir água era melhor que estivesse usando colete salva vidas. Na nossa proa, um barco de uns 32 pés resolveu orçar para não ficar a sotavento. Foi uma decisão muto arriscada fomos forçados a arribar para não bater nele, e o Gurupés da Atrevida passou a uns 20 cm do meio da mezena do barco e avançou por cima da popa deste (foto a cima). Logo após a largada deixamos toda a Flotilha para tráz e fomos Fita Azul seguidos pelo Fortuna da Armada Argentina. Ao final da Regata a tripulação do fortuna passou ao nosso lado e aplaudiu-nos, num ato muito elegante.

Já na segunda regata as condições eram outras. Receosos com o que tinha acontecido no primeiro dia, largamos mais para traz, em último. As condições eram mais perigosas, o vento era muito forte e as ondas no canal do porto, local da largada chegavam a mais 2 metros e bem curtas. Deixamos para subir a vela Fisherman e a entremastros depois da largada. Seria ainda uma boa regata, pois o vento era bem forte. Só que o nosso tático (excelente, por sinal) tinha ainda algumas falhas de comunicação. Uma delas era a de não ouvir ninguém. Eu, o Carlinhos e mais alguém, que não me lembro quem era, avisamos várias vezes que faltava a escota de barlavento da Fisherman. Assim ele ignorou a todos e mandou a vela pra cima. Quando esta já estava em cima ele informou o que todos já sabiam, que iríamos dar um jaibe na bóia da praia mansa. Daí eu perguntei novamente: Como você pretende caçar a vela no outro bordo sem a escota? Vc tem alguma técnica especial que eu não conheço? Então tornamos a abaixar a vela e fazer todo o processo novamente. Neste meio tempo, andávamos no último bloco junco com os menores barcos, enquanto o Fortuna, o Chipino, o Horizonte e o Sonny (barcos mais rápidos) abriam uma grande margem. Ainda estaria tudo bem, se a regata não tivesse sido encurtada. Conseguimos chegar em segundo e quem levou a Fita Azul foi o Fortuna (foto a cima). A nós coube aplaudi-los, e depois fazer uma reunião com a tripulação para melhorarmos as comunicação a bordo.

Na terceira Regata (La Barra) Largamos bem, assumimos a ponta no início. Na segunda perna, um longa orça até a Isla de los Lobos perdemos a posição para o Sonny (foto ao lado), barco do Germann Frers, pois ele orçava muito e nós tivemos que sangrar muito a bóia para não termos que dar bordos (que seria ainda pior). Logo recuperamos a posição e ganhamos com larga margem. As manobras foram perfeitas e a tripulação mostrou que estava bem entrosada.

No último dia ( Isla Gorriti) largamos junto com a Flotilha com vento fraco e ficamos muito tempo em 5o lugar. Na Frente estava o Fortuna, seguido pelo Orizonte, Chipino e Sonny. Fomos assim até Punta Ballena para onde seguíamos em um bordo em popa com Spi. Lá o vento começou a arribar e os lideres caíram muito. Tiramos o balão rapidamente e orçamos para a bóia, deixando o Fortuna para traz, encostamos no Horizonte, o qual passamos logo após a montagem da bóia e nos aproximamos do Sonny e o Chipino que orçam muito. Claro que a volta era de contra vento. O Chipino e o Sonny optaram pelo bordo da praia onde há menos corrente. Nós, por motivo de calado tivemos que ir pelo meio da baía, onde tinha corrente contra, mas tinha mais vento e mais rajadas. Conseguimos montar a bóia da praia mansa próximo ao Sonny que passamos logo depois. O Chipino estava muito a frente, e achamos que não conseguiríamos alcançá-lo,

Contudo a nossa sorte havia mudado, o vento foi aumentando e arribando, dando-nos as condições ideais. Nas rajadas a Atrevida chegou a adernar mais de 30 graus. O Atila estava com medo que viesse tudo a baixo e ordenou todos para barlavento. O Fábio ficou na escota da genoa a sota e numa das adernadas ele ficou mais de 30 segundos competamente mergulhado se agarrando na escota da genoa que não estava presa no selftailing A água batia na catraca e nele levantando um leque de mais de um metro e meio de altura, pois o barco velejava a onze nós. Trimavamos o barco como se fosse um monotipo caçando, soltando, arribando e orçando a cada rajada. Tudo orquestrado pelo Gabi o nosso tático. Foi um final de regata emocionante e passamos o Chipino quase em cima da linha. Ganhamos por 8 segundos.

Agora vamos aguardar o Rolex Classic de 2013, ano em que esta jovem e Atrevida Senhora completará 90 anos.

 






03/12/2011

Bella Mar de volta as águas...

 VOLTANDO AO SEU HABITAT NATURAL


PRONTO (a Cima)










  
O CASCO ANTES (direita, cima)



 "Reparem que as algas já estavam mortas devido ao uso do Antifoulong Ultrasônico, que fora instaldo alguns dias antes de tirarmos o barco da água."


Finalmente o Bella Mar foi para a água depois de 3 semanas em seco se preparando para o verão, ou diria, os próximos verões.

Para mim, o planejamento e a logística desta empreitada me deram mais trabalho do que o serviço em si, pois levantar um barco de 14 Toneladas, como é o Bella Mar no Clube dos Jangadeiros é uma tarefa complicada. Primeiro porque estamos no limite do guincho, depois temos o problema da falta de carreta para desloca lo no pátio, e por último a mão de obra, pois a sua área molhada mais parece um edifício. Resolvido tudo isto. Contratei os melhores profissionais (Pedro Donatti, Pedro Bicudo e Ricardo Duquinha) e depois que o barco saiu da água fui passar um pouco de frio, a trabalho na Europa.
 

Neste processo fizemos uma nova plataforma na popa, pois quando o barco foi construído, não fizeram uma. No corte feito podemos observar a qualidade da laminação, divinicell e estrutura deste barco, conforme foto ao lado.


Também foi feita a tão esperada pintura de fundo. Optei por usar as Tintas da INTERNACIONAL, fornecidas pela INTERSUL do Afonso, que como sempre, supervisionou pessoalmente os trabalhos realizados. Pedi a ele que desenvolvessem um plano de pintura que durasse pelo menos 3 anos. Assim ele me sugeriu usar, ao invés das tintas utilizadas normalmente em embarcações de recreio, usar o tipo de tinta para barcos comerciais que tem garantia de 36 meses, conforme segue a seguir:

01 demão geral de tinta GALVERETTE branca (camada fina)
01 demão geral abaixo da linha dágua de tinta INTERGARD 263 – epoxi selador
03 demãos de tinta INTERSPEED 6400 vermelho  


Para garantir o não crescimento de cracas, Algas, nem mexilhões dourados quando o barco ficar parado por períodos mais longos, instalei um Antifouling Ultrasônico, este garante a não formação da placa, aquela "gosminha" onde todos os organismos aderem depois. Com o Antifouling Ultrasonico, protegemos até hélice e o eixo, que não recebem tinta.
Falaremos em detalhes sobre este equipamento em outra postagem.

Mais alguns ajustes finais e em Janeiro vamos para o Uruguay, se Deus quiser!    ~_/) ~