Prefácio

Este Blog destina-se a falar de veleiros, navegadores, e também contar as aventuras do nosso veleiro Bella Mar. O Bella Mar é um veleiro MB 45´construído em Porto Alegre pelo sr. José Carlos Cristini, de quem eu adquiri o barco em outubro de 2010. A construção do Bella Mar, que chamava-se Paradoxo, teve início em 1998 e terminou em 2003. Na sua construção foram usados reforços extras além de placas de Divinicell no convéz e costado. A carpintaria foi feita pela Barcosul. A quilha, agora de chumbo, e o leme foram re-projetados pelo Carabelli, e o seu novo calado é de 1,65m. a mastreação, fabricada pela Farol Náutica, também teve a sua altura reduzida em 2 m, e tem armação em Cutter com cruzetas anguladas. ________________________________________________________________________ Bons Ventos a Todos, ______________________ Munir Ricardo Alle

29 de abr de 2013

O Veleiro Bella Mar já tem um novo dono.

O Velejador Fabio Faccio é o novo feliz proprietário do veleiro Bella Mar.
Apenas uma visita ao barco, e um velejo foi o suficiente para que o Fábio reconhecesse  o que este barco tem a oferecer, então começou uma transição (ou combinação) da vela de regata, para o cruzeiro.
Com um sentimentos confusos, vendi o barco, quase não coseguia desembarcar depois que o vendi, e foi difícil caminhar no pier me afastando do Bella Mar. 
Estou seguro, porém que o Bella Mar está em boas mãos. alguém que vai apreciar, usar e cuidar do barco como eu o fiz.
 -Fábio, te desejo boa sorte e bons ventos, e que este barco te traga muitas alegrias como trouxe a mim.

Fábio assumindo o comando do Bella Mar.


**** aos amigos:  O Blog do Bella Mar continuará. O próximo Bella Mar está a caminho.

16 de jun de 2012

VENDA

VELEIRO BELLA MAR A VENDA R$ 385 mil. 
(51) 81839693 bellamar.45@gmail.com



Um barco forte, seguro, rápido e muito confortável. Barco mantido em água doce
Munir Ricardo Alle 51 - 8183 9693
Modelo: Projeto Judel & Vrolich 45 pés
Construção iniciada em 1999. Barco pronto em 2003


Construção iniciada em 1999. Barco pronto na água em 2003. – O serviço de laminação não era feito se a umidade relativa do ar estivesse superior a 70%.

Marcenaria feita na Barcosul pelo Plinio.

Calado 1,65m quilha de chumbo. (quilha, leme e mastreção reprojetados por Horácio Carabelli e Farol Náutica)

Construção resina de poliéster com Divicell no convés e costado. 2 camadas de epoxi abaixo da linha d´água.

Motor: Yanmar 63hp 525hs

Transmissão: Eixo (pé de galinha)

Matreação Farol (3 cruzetas anguladas)

Retranca vela Grande com apoio para a vela e lazy jack

Velas: Genoa 2 (enrolador), Trinqueta (enrolador, autocambante), Mestra e ginaker.

2 catracas Wimaq 46 no mastro

Carrinhos Roletados para vela Mestra

Convés:


2 catracas Wimaq 63

2 catracas Wimaq 46

Traveler vela grande

Retranca tipo Hoyt para trinqueta

Dog house

Bimini top 2012

Targa com turco 2011

Escada e plataforma de popa

Roda de leme

2 WC. Um elétrico, outro manual, chuveiro quente e frio.







Eletronicos:

Radar BroadBand/ Ploter / AIS de 12 polegadas Northstar c map 2011

Piloto automático (acionamento hidráulico) Navman

Rádio VHF interno/ externo 2011

AIS 2011



Wind raymarine

Eco Raymarine

Antifouling Ultrasonico 2011

Elétrica:

110v/220 shore

Inversor 1200w

Forno Micro ondas

Luzes de navegação LED

Luzes internas LED

Boiler

160w painel solar 2011

600w Wind turbine 2011

Carregador para 2 bancos 10 A 2011

3 Baterias estacionárias de 150 A 2011

1 bateria p/ Motor 150ª

2 chaves de bateria independente,

Sistema Balmar de gerenciamento de carga 2011

Transformador 220/110v

TV LED 28”  2011

DVD Player 2011

Geladeira: 110/220V (50/60hz) e 12V   2011

Fogão com válvula solenóide para controle de gás


Segurança:

Salvavidas

Bóias circulares

Retinida

Sinal luminoso

Fogos


Cana de leme de fortuna

1 leme de fortuna completo para acoplar externo

1 bomba de porão elétrica com acionamento automático/manual 5000gl/min

1 bomba de porão elétrica com acionamento automático 2000gl/min

1 bomba de porão elétrica com acionamento automático 500gl/min






1 bomba de porão manual

Ancoragem:

1 ancora Bruce de 20kg com 30 metros de corrente

1ancora CQR (legítima) 16kg com 45 metros de cabo 20mm

1 guincho elétrico 1500 W

Diversos:

Escotas

Defensas

Fogão 3 bocas com forn aço inox

Churrasqueira

Tanques extras     

                  Valor:  R$  385.000,00

   C/  Munir Ricardo Alle (51)81839693   bellamar.45@gmail.com







11 de abr de 2012

Volta do Uruguai para o Brasil

No dia 3 de março de 2012 eu, Nilson, André Serpa e o Luis Marasca viajamos para Piriápolis para buscar o Bella Mar. A intenção era pegar uma frente que passaria de forma rápida pela costa sul.
Fomos surpreendidos  pela burocracia e tramites legal. Acabamos por sair tarde e perdemos um tempo precioso. 
Na saída de Piriápolis pegamos um vento contra e tivemos que velejar 2 horas para Leste para ganhar altura e podermos passar por fora da Isla Gorriti. Isto aconteceu porque saímos atrasados e o vento que pretendíamos pegar, mais forte que viria do quadrante sul, já havia passado.
Não demorou muito a anoitecer. Por volta das 0200hs passávamos por La Paloma. O vento diminuiu durante a noite e o mar desencontrado com ondas de sul levantadas pela frente fria, e de Leste com formação oceânica, deixavam a navegada bem desconfortável. A esta altura o Marasca e o Nilson já estavam "alimentando os peixes". Ainda assim seguíamos com boa velocidade 7,5 a 8 nós co vento de popa.
Por volta das 0700hs o barco fez um giro de 360 graus. Vi que o Nilson estava no timão e perguntei o que ele estava fazendo. Respondeu me que o Piloto não estava respondendo e que a roda de leme também não respondia.
Subi rapidamente ao convés e me dei conta que era verdade. Senti um frio no estomago e passou pela minha mente um dos meus maiores pesadelos: Perda de leme!
Abri o paiol de popa e pulei pra dentro para averiguar a situação. Logo constatei que não era a perda do leme (graças a Deus).
Não era nada que nos colocasse em risco, mas era um pouco complicado. O parafuso que segurava o braço hidráulico do Piloto Automático quebrara, e quando o leme girou com toda a força e bateu no final do curso arrebentou o cabo de aço que vai da roda de leme ao quadrante do leme. Descobri então que o parafuso era de latão, um material muito fraco para a força que aquela peça exerce. 
Enquanto o André abaixava as velas o Nilson e o André me ajudavam com ferramentas e parafusos. Logo conseguimos colocar um outro parafuso, mais fino, em outro furo no quadrante. Não era o Ideal devido a diferença de torque, mas nos levaria lentamente a nosso destino. Decidi não mexer nos cabos da roda de leme, pois o barco mexia muito com as ondas.
Precisamos tomar uma decisão. Estávamos a 30 MN da divisa do Chuí e umas 20 MN longe da costa.
Faltavam 180 MN para Rio Grande e 50 MN para La Paloma. O Porto Mais próximo. Havia uma tendência do vento virar para Leste e Nordeste. Assim resolvemos que a decisão mais correta seria de voltarmos para La Paloma.
Saída do Porto de La Paloma
Foram 10 hs de navegada no sentido oposto ao nosso destino inicial, o que nos dava uma sensação de frustração. Mas quem vai ao mar está sujeito a estas coisas. As dez horas passaram rápido e as 1700 hs entravamos no Porto de La Paloma. Muito bonito e organizado. Aliás La Paloma é uma cidadezinha muito pitoresca. Recomendo a visita!
Depois de atracarmos o barco, desmontarmos o cabo da Roda de leme e fazermos todos os tramites burocráticos, fechamos o barco e pegamos um taxi para a rodoviária, pois não haveria possibilidades de continuarmos a viagem. O vento mudaria para NE, além do mais eu tinha compromissos em Porto Alegre.
Na Rodoviária, só teria onibus para o Chuí na manhã seguinte, então pegamos o mesmo taxi e pedimos que nos levasse ao Chuí. 150 km. Lá jantamos, e pegamos um outro onibus para Porto Alegre. Uma viagem terrível.
 
Passaram-se 25 dias muito rapidamente, Só aí então no dia 27 de março é que foi possivel buscar o Bella Mar que ficou quietinho no Porto de La Paloma. Com uma tripulação diferente, eu o Silvio Teles e o Alfredo Pinto pegamos um onibus com destino a Punta del Este e decemos em Rocha, onde o mesmo taxi que nos levou para o Chuí, nos esperava. Foi uma noite sem dormir para mim, pois estava preocupado em decer na imigração Uruguaia e fazer a entrada e a saída, já que em La Paloma não há posto de imigração. Foi difícil fazer a oficial Uruguaia entender o o que nós íamos fazer, e depois foi difícil ela descobrir como faria o processo. Tudo isso as 4 hs da manhã. 
Fazendo os reparos



Munir e Silvio
Logo as 0630 hs decemos em Rocha onde fazia 6 graus e chovia um pouco. O taxi nos levou ao Porto e começamos a fazer os reparos no barco, enquanto o Silvio foi comprar óleo Diesel para abastecermos o barco para a viagem. Assim que arrumamos os cabos do leme, fui pagar o porto e pegar permissão da Prefeitura Naval para sair. Foi um pouco difícil, pois não queriam nos autorizar a sair devido do vento Pampero de força 8 e a ressaca no mar. Após longa conversa onde avaliaram o barco e a tripulação decidiram nos autorizar.
Depois de tudo arrumado, conseguimos sair do porto as 1040 hs. O mar estava grosso e o vento forte de SW. A pricipio o vento não era o problema, e sim as ondas de Sul que deixavam o mar parecendo uma máquina de lavar roupa. As ondas de Sul de 3,5 m a 4,5 m não permitiam que navegássemos próximo a praia, que era a nossa intenção inicial, ja que o vento era levemente terral. Mesmo assim nos mantivemos relativamente perto da costa para evitar o mar cruzado.
Alfredo.........
Logo que passamos a divisa do Chuí, conversamos com dois barcos de pesca pelo rádio e eles disseram que só eles estavam fora, e nos sugeriram que nos afastássemos pelo menos 25 milhas da costa, pois as ondas estavam quebrando muito fortemente no Banco do Albardão e nos outros bancos que o seguem. Assim abrimos quase 30 milhas da costa e encaramos um mar cruzado co ondas de 4,5 m de sul e ondas de 3m de SW. Foi uma noite muito cansativa! Algumas ondas quebravam no costado, outras quebravam pela popa por cima de nós. Algumas planadas faziam o barco  passar de 15 nós, e numa em especial o barco atingiu 19,6 nós. O Bella Mar se comportou muito melhor do que nós. O Alfredo começou a passar muito mal apenas 1/2 hora depois que saímos e seguiu assim até a barra de Rio Grande. E eu e o Silvio chegamos muito cansados.

Durante a noite me preocupei com a navegação pois temia que passássemos de Rio Grande enquanto estávamos a 30 MN da terra, Isto nos forçaria a fazer um contravento em direção a barra. Procurei diminuir a velocidade do barco o maximo que eu pude, e assim que começou a clarear e podíamos ver as ondas iniciamos um través orçado para Rio Grande. Foram 5 hs levando o barco na mão igual a um monotipo negociando cada onda, mas foi divertido e bem melhor doque navegar no escuro com ondas vindo de todos os lados.
Fizemos 224 MN em 24 hs. Pois de barra a barra, foram exatamente 24 hs. Entramos na barra de Rio Grande as 1040hs. Durante a viagem as ondas e os ventos levaram a capa do bote e a capa da churrasqueira. Deixamos o barco no Hospitaleiro Rio Grande Yacht Club.



20 de mar de 2012

Vídeo Rolex Clássic 2012

Acabei de receber a versão editada do vídeo da última regata Rolex Clássic em Punta del Este (jan 2012).

Resolvi publica-lo pois está muito bom e representa bem a regata.

Espero que vocês gostem também.

Acesse o link para ver com tela cheia : Video da Regata Rolex Clássic 2012 


ou assista aqui: 

5 de mar de 2012

Piriápolis

No dia 22 de fevereiro, uma quarta feira, eu e a minha esposa decidimos levar o Bella Mar para Piriápolis, porto muito conhecido a oeste de Punta del Este em direção a Montevideo. A cidade é muito bonita e organizada. Ela é menos sofisticada do que Punta Del Este, o que a torna mais barata também.

A viagem começou as 1000hs com céu claro e algumas nuvens. No dia anterior soprara um forte vento sul, e as ondulações eram bem grandes, contudo naquela quarta feira o vento estava calmo até de mais para o meu gosto. Fizemos toda a burocracia junto a Hidrografia e Prefectura Naval, e depois de todos os carimbos, e pagamentos soltamos as amarras.

Logo que saímos subi a vela grande, ou melhor, tentei subir a vela grande, mas não conseguia fazer o top passar da 2ª cruzeta. Depois de algumas tentativas frustradas consegui ver que um dos parafusos que fixam o trilho da vela grande ao mastro havia saído um pouco e impedia o carrinho da vela de passar daquele ponto. Como o vento estava fraco mesmo, decidi baixar a vela e motorar até Piriápolis.

Foi um trecho muito chato, as ondas remanescentes do dia anterior eram picadas e muito desencontradas, pois batiam contra a costa e voltavam, fazendo a viagem bastante desconfortável mesmo para um barco pesado como nosso. Logo aconteceu o que eu temia, minha esposa começou a ficar um pouco mareada e então se deitou no convés. Com os olhos fechados. Ofereci um Dramim, mas ela disse que não precisava e que ficaria bem.

Passado mais um tempo ela disse que um Dramim não seria má ideia. Fui procurar o remédio e não encontrava. Sabia que tinha trazido na viagem. Fiz a maior bagunça no barco, tirei tudo do lugar e não achei o raio do remédio, quando então me lembrei de que foi uma das ultimas coisas que trousse para o barco e estava na minha mochila, que tinha ficado no apartamento.

Resolvi apelar então e dei a ela um Plasil. Este é um remédio antivômito, caso ela tivesse vontade de vomitar, e também estava apostando no efeito placebo, caso fosse algo de natureza psicológica. Bem, funcionou. Ela não vomitou e foi sentindo-se melhor na medida em que nos aproximávamos de Piriápolis e as ondas diminuíram um pouco. Logo ela me perguntou: “que remédio você me deu? Não era Dramim, pois não me senti da mesma forma que eu me sinto quando tomo Dramim.” Fui obrigado a confessar o meu esquema...

O bom é que ela aguentou muito bem e até gostou da experiência. Fiquei muito orgulhoso da minha Almirante. Preciso salientar que eu sou o Capitão da nau. Tomo todas as decisões a bordo e estou sempre certo. Minha esposa é a Almirante, pois ela é quem diz se posso ir a bordo ou não....

A viagem demorou duas hora e meia e chegando a Piriápolis atracamos ao Lado do Paratii que está já no fim de sua Temporada naquele porto. Depois de toda a burocracia novamente, Também encontramos velhos amigos, como o Alejandro da SAMS, o pessoal do Cocolo, o Gaucho, a Elisa e fizemos amizade com o Igor, nosso vizinho que é o atual capitão do famoso Paratii do Amir Klink.

Piriápolis é uma cidade de veraneio bastente bucólica. Muito diferente de Punta del Este e menos badalada. Contudo tem um porto bem mais voltado para veleiros doque para "ver e ser visto". Lá encontra-se veleiros do mundo todo. Normalmente estão a caminho da Pataônia e cabo Horn, ou voltadno de lá. Também é um bom porto de partida para Africa do Sul.







Há restaurantes muito bons a preços razoáveis. Nada no Uruguai está muito barato hoje em dia. Aproveitamos para comer no Don Quijote um restaurante muito bom que só abre de novembro até o feriado da Pascoa. A brotola é muito boa mas eu recomendo a paella, que é a melhor que eu já comi. Só é servida de 5a a domingo, e é bom chegar ao meio dia, pois se demorar muito já não vai ter mais.

O barco ficará em Piriápolis até que voltemos.




A cima: Paella;
A esquerda: Brotola Grelhada.

28 de fev de 2012

Rio Grande Punta del Este

Seguindo de Rio Grande Punta del Este

Finalmente as condições ficariam favoráveis na madrugada de domingo para segunda feira dia 13 de fevereiro de 2012. Assim pegamos um ônibus de volta para Rio Grande e as 1700hs estávamos no RGYC preparando o Bella Mar para a próxima perna.
O dia estava quente e ensolarado, então logo começamos a arrumação de tudo a bordo. Aproveitamos para trocar a adriça do Balão, pois esperávamos usá-lo. Também coloquei a ancora CQR que comprara assim que chegamos em Rio grande, para substituir a que foi perdida no temporal na perna anterior. No final do dia a tripulação nadou um pouco na piscina do clube e fomos nos recolher cedo. Obs. Eu não nadei porque ainda tinha o meu dedo do pé imobilizado, pois havia quebrado-o na perna anterior.
Quando nos preparávamos para fechar o barco, ouvimos um ruído de um barco se aproximando. Estava chegando um barco Frances de aço de uns 52 pés. O barco parecia uma aparição fantasmagórica. Eu não me atreveria a entrar nele sem antes verificar a validade da minha vacina anti-tetânica. Ajudamos o Frances e o Uruguaio que estavam a bordo a atracar. Daí eles nos perguntaram onde estavam, pois eles queriam ir para o trapiche do Museu que fica ao lado do clube. Depois de ajudarmos os recém chegados voltamos para dormir.
2ª feira as 0615hs soltamos as amarras e nos deslocamos lentamente passando pelo porto antigo em direção ao Oceano Atlântico, enquanto tomávamos o café da manhã. O dia amanheceu sem nem uma nuvem no céu e havia uma leve névoa matinal. Já passando pelo TECON encontramos alguns golfinhos que sempre são bem vindos. Avançávamos a 7,5 nós a maré estava neutra, não havendo corrente. Durante este trajeto o Silvio e o Alexandre foram tirando fotografias e as 0743hs entramos oficialmente no mar.
Seguimos motorando e com a vela grande içada, pois o vento estava muito fraco ainda. As 1100hs abrimos a trinqueta e subimos o Gennaker. Assim que o abrimos notamos um pequeno rasgo bem no topo central da vela. Tornamos a baixá-lo para consertar.
Refeita toda a operação voltamos a velejar sem aquele ruído do motor. O barco fazia 6 nós e sabíamos que estava muito bom, o vento ainda era fraco, mas tudo dizia que iria aumentar, pois assim é o nosso Nordestão.
Estávamos velejando em 20 mts de água, nada de azul profundo, ainda um mar verdinho. Mesmo assim decidimos Largar uma linha de pesca na água e o Alexandre foi preparar o almoço. Churrasco! Não podia ser melhor... Nem havíamos terminado de comer e o vento já havia aumentado um pouco e navegávamos a 7,5 nós.
Passamos por três barcos pesqueiros e alguns navios sem stress durante o dia, pois a visibilidade era excelente e de noite o AIS e o Radar nos mantinham bem informados.
A velejada seguia muito bem. O Alexandre dormindo sempre que podia, o que nos deu muito motivo para pegar no pé dele dar muitas risadas. O Silvio Tirando sarro da nossa pobre isca artificial, pois não pegávamos nada... Quando começou a anoitecer o Alexandre, já desiludido disse que ia tirar a linha da água. Então eu, mais otimista, disse: Não... agora é a hora dos predadores noturnos! Deixa a linha n’água. Por pura sorte, algumas horas mais tarde, pegamos um peixe Espada. Foi a atração principal da noite. Como se limpa um peixe Espada? Depois de muitas tentativas o Alexandre chegou a um resultado satisfatório, e embalou o peixe e colocou-o na geladeira. No dia seguinte comeríamos o pescado no almoço.
Por volta das 0230hs cruzamos a linha da fronteira entre o Uruguai e o Brasil. Aproveitamos a oportunidade para tomarmos um champagne. Apartir deste momento deve-se comunicar com o controle marítimo do Chuí (Chuí control). Eles pedem todas as informações sobre o barco (é bom ter o registro a mão), além de numero de tripulantes, posição, proa e velocidade. Manteríamos contato por radio, respectivamente com La Paloma Control e Punta Control na Altura de José Ignácio, até a nossa chegada ao Porto de Punta Del Este. A cada contato deveríamos atualizar o nosso ETA.
A noite passou rápido e o dia amanheceu com um vento um pouco mais forte e já fazíamos 8 nós pela manhã. Logo era hora do almoço novamente e o Alexandre voltou a fazer churrasco. Só que dessa vez também tinha peixe na brasa e mais champagne (isto da uma idéia de quão tranqüila era a nossa navegada). Novamente o vento aumentou por volta do meio dia e terminamos o churrasco velejando a mais de 11 nós. Por volta das 1400hs demos um Jaibe e apontamos a proa direto para Punta Del Este.  Logo foram passando os cenários conhecidos, Avistávamos a de longe la Isla de los Lobos, el Faro de José Ignácio, La Barra e por fim Punta Del Este.
As 1745hs do dia 14/02/2012 estávamos amarrando o Bella Mar no porto de Punta Del Este. Todos muito contentes e com vontade de velejar mais.
 
 A viagem foi perfeita. céu de Brigadeiro, mar de Almirante e ventos favoráveis. A tripulação foi divertida e competente. Os problemas mais graves, se é que pode-se dizer assim, foram a perda da âncora, e uma mangueira usada para verificar o nível nos tanques de água que fora mau posicionada e acabava funcionando como um sifão, drenando água do tanque para a santina. Problema este resolvido com um alicate de pressão que interrompeu o fluxo de água na mangueira.
Deixo aqui o meu agradecimento ao Silvio e o Alexandre que são tripulantes que serão sempre bem vindos a bordo!
Em outro momento escreverei sobre a parte burocrática de se chegar e sair do Uruguai.